Ação de Chafalote: 24 de setembro de 1816

Excerto de carta do major Manoel Marques de Sousa, da cavalaria da legião de São Paulo, ao seu irmão, acerca da ação de Chafalote

Santa Teresa, 9 de outubro de 1816.

Ill.mo Mano Amigo e S.’

As minhas ocupações tem me privado de dar a VS. noticias, e apesar de que elas se vão aumentando de dia a dia, aproveito esta hora de descanso para cumprir com este dever.
Creio já terá chegado a noticia de VS o feliz resultado da ultima diligência que fiz sobre o inimigo. Havendo sido encarregado pelo S. Ajudante General comandante da Divisão da Vanguarda de ir observar a posição do inimigo, marche¡ com hum Esquadrão de cem homens, sendo sessenta e tantos da Cav.’ de VS.’,
e ao amanhecer p. o DIA 24 AO PASSAR O PASSO DE CHAFALOTE achei ali o seu acampamento que ele excedia a 200, e que foram completamente batidos, tendo eles sofrido a perda de 13 mortos três mortalmente feridos (alguns dos meus Camaradas ainda querem que fossem mais, porem eu não vi); 20 prisioneiros entre os quais dois Tenentes, 350 Cavalos, 30 Clavinas com as suas competentes baionetas, e boldreis 22 Patronas, 8 Espadas de bainhas de forro e boldreis de cinta com franqueletes, Seis baionetas avulças huma porçaõ de Cartuxame, e muitas maletas em cujo não entraram as dos dois Cap Munis [Julian Muniz] (o comandante) e Moreira, com todas as suas correspondências Oficiais, e Ordens
& Foi juntamente retomada a Espada do seu Cadete Sandí, a roupa q.’ lhe tiraram, e assim também a dos dois Soldados de Milícias que foram asa m.” occaz.” prisioneiros. Depois ([…]) desta Caça não se tem aproximado mais.

Os batidos ainda se não reunirão todos, a seu Campo é, seguindo informações [que] tenho na Serra das Cabeceiras do arroyo de D. Carlos, Frutuoso Rivera, que tinha passado acima […] com 700 homens com o fim de se ver reunir a sua avançada, para vir aqui bater, desistiu da empreza e voltou para o seu Campo de Mamara às cabeceiras de S. Carlos.

(…)

Fonte

– Comisión Nacional Archivo Artigas, Archivo Artigas, Montevideo, Monteverde, t. 31

Sobre Jorge Quinta-Nova 71 artigos
Rato de biblioteca. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas na UAL, pesquisa desde 2007 o Exército Português nos finais do Antigo Regime, durante as Guerras Revolucionárias, principalmente Carlos Frederico Lecor, de quem anda reconhecidamente Em Busca. É um reputado amante da Medalha Militar, entre a fundação em 1863 e 1911.

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