Batalha de Carumbé: 27 de Outubro de 1816

O general Joaquim Xavier Curado, vendo anulada a pressão oriental na sua direita, após as derrotas de André Guazurarí Artigas em S. Borja a 3 de outubro, e de coronel José Antonio Berdún em Ibirocaí a 19 de outubro, decide atacar o grosso das forças orientais na área da guarda de Santana (hoje a cidade de Santana do Livramento), sob o comando do próprio José Artigas.

O objetivo era a supressão desta última ameaça sobre o território riograndense, o que cumpriria plenamente as instruções que o capitão geral marquês do Alegrete recebera em Junho do governo no Rio de Janeiro (impedir qualquer invasão, na fronteira do Quaraí, e preparar a chegada da Divisão de Voluntários Reais pela fronteira do Jaguarão).

É por esta altura que o general Curado muda a reunião de tropas do arroio Ibirapuitã Chico para o Ibirapuitã (Grande), por forma a estar mais próximo das tropas inimigas reunidas na guarda de Santana.

Carumbé, ou jabuti macho, era o nome também dado pelos espanhóis aos morros da fronteira de Santana

A batalha
Xavier Curado destaca uma coluna de 760 homens das três armas, sob o comando do brigadeiro graduado Joaquim de Oliveira Alvares, chefe da Legião de Tropas Ligeiras de São Paulo, com o objetivo de atacar qualquer força inimiga na zona de Santana e fazê-la recuar de volta ao seu próprio território.

Alvares parte na noite de 24 para 25 de outubro e fez quatro léguas [cerca de 26 quilómetros) até a estância do Varguinhas, onde esperou a reunião de todos os efetivos e toma conhecimento de forças inimigas que retiravam gado do lado português.

No dia 26, Alvares toma posição no arroio de Elias, aí topando bombeiros orientais, ou batedores de reconhecimento, como seriam hoje designados.

Finalmente, no dia 27, domingo, tendo marchado uma légua [c. 6,6 km], os portugueses detetam as avançadas orientais, “massas de cavalaria”, ordenando Alvares que fossem atacadas e dasbaratadas pelas patrulhas flanqueadoras da coluna, enquanto a marcha prosseguia até à guarda de Santana, onde decorreu a batalha.

Consequências
A batalha de Carumbé, e respetiva vitória portuguesa, efetivamente encerrou a primeira parte das operações na fronteira do Quaraí e vem a cumprir exatamente as ordens que Alegrete tinha do governo do Rio, como já indiquei acima. As forças orientais haviam sido inapelavelmente derrotadas nas três frentes, primeiro nas Missões, depois na parte ocidental, quase inóspita, do distrito de Entre Rios e agora em Santana.

Entre 21 de Setembro e 27 de Outubro, quase tudo correu bem às tropas da Capitania do Rio Grande, sob o comando do tenente general Joaquim Xavier Curado. Este general, goiano de 73 anos, carioca de adoção, soube gerir os recursos humanos e materiais de forma admirável, delegando o comando em forças combinadas de infantaria, cavalaria e artilharia, sempre em comandantes diferentes (José de Abreu em Missões, João de Deus Mena Barreto em Ibirocaí e Joaquim de Oliveira Alvares em Carumbé), numa área enorme e extremamente despovoada.

Joaquim de Oliveira Álvares

Memórias
Para esta batalha temos três fontes memorialistas, o que não só representa um escalamento da campanha e consequentemente de testemunhas, mas a possibilidade aqui de termos ambas as visões portuguesa e oriental. No caso de Carumbé, das memórias e cartas, há uma portuguesa, a do comandante, brigadeiro Joaquim de Oliveira Álvares, chefe da Legião de São Paulo, que transcrevo em baixo, e uma oriental, a do major Andrés de Latorre, que comandou a ala direita oriental. A terceira fonte, muito curiosa e informativa, é o interrogatório, feito a 7 de dezembro (mais de um mês depois) do soldado Ramon Bargas, da 7.ª companhia de infantaria do Regimento de Blandengues, feito prisioneiro na batalha.

 

Transcrição da Parte Oficial da batalha de Carumbé pelo brigadeiro graduado Joaquim de Oliveira Alvares
(adaptado e ortografia modernizada)

Acampamento do Arroio Elias. 27 de Outubro de 1816

Apresso-me a comunicar a V. Ex.ª, que as Tropas debaixo das minhas ordens acabam de bater completamente 1500 Insurgentes, comandados por José Artigas em pessoa.

[25 de outubro, madrugada]
Já tive a honra de participar a V Ex.ª, que tendo me adiantado na madrugada de 25 do corrente, com 300 praças da Infantaria da Legião de S. Paulo, cheguei pelas nove horas à Estancia do Varguinhas, quatro léguas distante deste acampamento onde tomámos conhecimento de aí estarem na véspera a partida inimiga a tirar gados.

[25 de outubro, tarde]
Igualmente participei a V Ex.ª que sobre a tarde se me reuniu 300 praças de cavalaria de Dragões [do Rio Grande], Legião de S. Paulo e Milícias [do Rio Pardo], 40 de artilharia a cavalo da Legião, com 2 peças de 6, e 2 Carros munchegos, assim como as Guerrilhas de Alexandre Luiz de Gabriel Machado, e de Jacinto Guedes, e João Pais, completando tudo o n.º de 760 homens na forma especificada no papel n.º 1 .

[26 de outubro]
No dia 26 marchámos três léguas ao Arroio de Elias, e já os nossos postos avançados deram noticias de bombeiros inimigos.

[27 de outubro]
No dia 27, não tendo ainda marchado uma légua, começamos a descobrir sobre as alturas pequenas partidas, que as nossas patrulhas flanqueadoras não deixavam de perseguir; e nas que só reproduziam incertamente, até que chegamos à coxilha que faz a divisa da nossa fronteira.

Devisamos grande movimentos na grande guarda do Inimigo posta sobre a Coxilha se S. Ana, ou Morros de Carumbé meia légua boa distância daquela, e muitas partidas de cavalaria, que concorriam a senhorear-se do arroio, uma das vertentes de Quaraí, que divide as duas coxilhas na distância de um quarto de légua.

[reposicionamento da linha portuguesa]
Impossibilitado de ir pessoalmente fazer o reconhecimento do terreno, e das forças inimigas pelos motivos que ficam indicados, resolvi-me a tomar no entanto uma posição vantajosa (de uma iminência) de 400 passos sobre a retaguarda onde me formei em batalha; postando na direita o esquadrão de Dragões, na esquerda o de Milícias, e no centro 220 praças de infantaria com as 2 peças de 6 nos intervalos das duas Armas. As partidas de Jacinto Guedes, e de Gabriel Machado cobriam o flanco direito, e as de Alexandre Luiz e de João Pais o esquerdo, as 40 praças de cavalaria, e 80 de Infantaria da Legião deixei para reserva.

[27 de outubro – 1000H: movimentação oriental]
Artigas, animado pelo nosso movimento retrógrado, e pelas nossas poucas forças, resolveu atacar-nos, e desde as 10 horas do dia começaram as escaramuças sobre nossos flancos para proteger a sua formatura no arroio, as quais continuaram com mais ou menos intermissão até à uma hora da tarde. quando começou a aparecer a linha do Inimigo, subindo dos fundos do mesmo arroio: 450 homens de cavalaria marchavam na direita em uma só fileira, e 400 outros da mesma Arma na Esquerda cobertos com 150 charruas, minuanos, e guaranis, 500 praças de infantaria de Blandengues e negros: ocupavam o centro, igualmente em uma fileira, e com intervalos de 3 ou 4 passos toda esta força avançada em semicírculo procurando cercar-nos.

Em consequência dos movimentos do inimigo dispus da minha reserva com a infantaria, mandei guarnecer o flanco esquerdo sobre o qual se dirigia a maior força, e para proteger a peça de 6 (a que dei nova posição) com metade da cavalaria, mandei reforçar o flanco direito, e com o resto cobrir a cavalhada.

Formei ainda um Corpo de reserva da fileira da retaguarda, da infantaria de linha, que me pareceu menos urgente, na posição permitida atentas as circunstâncias do ataque, e da necessidade que receava ter de acudir aos postos que fraquejassem.

Entretanto a linha do Inimigo avançava com extraordinariamente atrevimento, mas como os chuveiros de balas que descarregavam sobre a nossa nos não ofendesse, aceitei em deixar aproximá-la, não só porque a ineficácia de seus tiros contribuía para animar a nossa Tropa, que seria grande o seu prejuízo em cartuxame, mas ainda para tornar mais terrível a nosso ataque: assim que os colhemos os de meio alcance de fuzil, mandei avançar, e em menos de 10 minutos tinha voado o centro da linha do Inimigo à força de bala e baioneta da incomparável infantaria da Legião.

O esquadrão de Dragões comandado pelo Sargento Mor Sebastião Barreto Pereira Pinto apoiado pelas Guerrilhas de Guedes, e Pais, e pela metade da cavalaria da Legião ao Comando do Capitão Brandão fez prodígios de valor para destroçar os charruas, minuanos, e guaranis; mas logo que o conseguiu a cavalaria inimiga fugiu debandada, e foi perseguida com perda considerável.

O nosso flanco esquerdo teve muito que sofrer, e foi no resto a bem das tropas que ali se tinham postado, parte da nova reserva de infantaria, porque a outra parte tinha ido cobrir a cavalhada: e o esquadrão de Dragões já victorioso no flanco direito se empenhava a destruir a cavalaria e infantaria do inimigo que para ali particularmente se tinha dirigido com a mira na cavalhada e peça de 6, que protegia; nada pode resistir ao valor da nossa tropa, e em menos de meia hora ficámos senhores pacíficos do campo do ataque.

À medida que pude ir reunindo a cavalaria mandei sucessivamente perseguir os fugitivos, parte do esquadrão de Milícias do Comando do Capitão Victoriano José Sentena, e parte dos Dragões ao comando do Alferes José Luís Mena Barreto, e parte da cavalaria de S. Paulo debaixo do comando do Capitão José da Silva Brandão, os quais acossarão ao inimigo uma légua além da sua grande guarda de Carubi, e ainda depois desta retirada ordenei ao bravo Alferes José Luís Mena Barreto com 6 homens de infantaria fosse bater os matos, barrancos, e lugares fundos, onde ainda se fez uma grande carnagem.

Não poderei ter expressões suficientes para elogiar dignamente a boa vontade e firmeza, constância, e braveza, da nossa tropa, em que não notei um só indivíduo, que se não excedesse a si mesmo e que não animasse a seus camaradas por palavras, ou por ações, o que não fez vacilar nem um só instante a certeza da vitória qualquer que fossem as forças do inimigo e aspecto.

[…]

[mortos no campo]
Da indagação feita pelo Tenente Coronel Joaquim Mariano Galvão, o Capitão José da Silva Brandão, ambos da Legião de S. Paulo, e pelo Ajudante de Dragões Francisco António de Borba resulta que ficaram mortos no campo do ataque 512 homens de todas as classes, não entrando neste número os que foram mortos pela cavalaria que os perseguiram, pela infantaria que mandei bater os matos depois da ação, e finalmente os que senão poderam contar pela grande distância donde foram repelidos, ajuizar e com quase certeza que o número dos mortos excede a 600, e que confirmam os prisioneiros; destes ficaram em nosso poder que consta da relação n.º 3 entre os quais se notam o celebrado Tenente ([… ..]) (Gatile) Comandante de S. Anna, sobrinho e confidente de José Artigas, cuja correspondência se achou, e remeto incluso, e três outros oficiais, um dos quais é tenente do Regimento dos Negros. Dos nossos padeceram 29 mortos, e 55 feridos a maior parte gravemente, que todo será presente da relação n.º 4.

[despojos de guerra]
Quanto a armamento, munições, arreios, e cavalhadas, não poderei dizer a V Ex.ª de positivo, porque não havendo meio de fazer um recebimento em forma e menos de transportá-lo, cada um ficou com o que puderam saquear, entretanto tendo mandado formalizar relações do que voluntariamente quisessem deixar acho dividido por diferentes corpos e partidas 310 armas com baionetas, 220 espadas ([de]) (com) bainha de ferro, 23 pistolas, lanças, e flechas em grande número, assim muitass muitas cartucheiras e arreios, ficaram ainda em nosso puder duas caixas de cartuxos, uma de pólvora, 7 caixas de guerra, duas caixas a que chamam estandarte 500 cavalos, supondo porém, que deixei à livre vontade dos possuidores acusarem os efeitos e armamentos que tinham apanhado entre os quais havia grande número de piões, e piões escravos, e mesmo algumas pessoas que se agregaram à Tropa que consta fizeram maior saque. Finalmente que há muitos a quem coube 2 e 3 armas espanholas. Podemos avançar que o número dos artigos apanhados foi muito mais considerável e isto confirmam os prisioneiros asseverando que a infantaria perdera todo o seu armamento, e os que fugiam largavam as armas para melhor conseguir a sua empresa, acresce mais que o esquadrão de Milícias Guerrilhas me dizem que pretendem entregar o armamento Raiuno, o que indica quererem substabalecello com o que saquearam.

Não devo esquecer de recomendar a proteção de V Ex.ª o Reverendo Capelão José de Freitas e Castro; e ao ([Sarg]) Cirurgião Mor Joaquim de Souza Saquete ambos da Legião de São Paulo, os quais durante, e depois da ação ministraram seus socorros com a maior vontade, intrepidez, e caridade.

Na exposição das forças de Artigas regulo-me pelo depoimento de Gatil, e pelo da maior parte dos prisioneiros, ainda que o resto fizesse avultar o número a mais de 300 indios do comando de Manduré. Nada quero avançar de que não possa contestar a verdade, o certo é que este cacique se achou na ação e que as cavalhadas só ficaram guardadas pelas mulheres dos indios. do depoimento dos mesmos prisioneiros consta que Artigas se retirara com uma guarda de 25 charruas para uma altura, e que fora o primeiro que disparou.

Em observância das ordens de V Exª e pelas circunstâncias que lhe são presentes entrei no país do inimigo, e como não houvesse no campo do ataque meios de subsistência de água, e lenha, cai sobre a minha retaguarda a procurar o acampamento da noite antecedente de donde pretendo seguir para esse, onde conto chegar no dia 29. O armamento que pedi a V Ex.ª no meu Ofício de 25 para armar a partida de Jacinto Guedes de Oliveira chegou oportunamente e com ele entrou no ataque. Este partidario é digno de toda a atenção.

D. G. a V Ex.ª
Acampamento do Arroio de Elias 27 de outubro de 1816
Ao Ill.mo e Ex.mo Sr. Joaquim Xavier Curado
Do Brigadeiro Oliveira

Visões Orientais da Batalha

Estritamente falando, o exército de Artigas luta pela Liga dos Povos Livres, também conhecida como Liga Federal, um pacto entre províncias do moribundo Vice Reino do Rio da Prata, nomeadamente Banda Oriental, Corrientes, Entre Rios e Missiones, entre outros, de carácter regional e de forte cunho federalista e republicano. Esta liga reivindicava os direitos das províncias contra o partido centralista de Buenos Aires, e frequentemente estava em guerra para defender esses direitos. Só no ano anterior é que se havia chegado a um paz, altura em que Montevidéu passou para mãos orientais, mas a relação continuava instável.

 

Parte dada pelo major André de Latorre da batalha de Carumbé, em carta a Frutoso Rivera, comandante da ala direita das forças de José Artigas nesse campo de ataque.

Arapey, Noviembre 19 de 1816.

Mi estimado Conpañero y amigo

Amigo, el 27 del pasado tuvimos un fuerte ataque en las puntas del Cuñapiru yo mandaba la ala derecha que costaba de quinientos onbres, trescientos de ynfanteria y doscientos de Caballería de ygual numero mandaba Fermin Fernandes.

La ysquierda dentró en el mas vivo fuego con toda serenidad. Condosi la ynfanteria debajo el fuego de la piesa de artilleria que tenia al frente con la perdida de un solo onbre; los fuegos de cañon poniendo la ynfanteria en distancia y cargo la Caballeria enemiga y dispersó la infanteria y Caballeria nuestra de modo q.e los restos de la caballeria enemiga q.e havían q.e dado fueron los q.e me comensaron aser fuego para retaguardia y no tuve mas remedio q.e descolgar la ynfanteria por una q.e bra da abajo y la Caballería q.e estaba en otra quee brada piatierra asiendo fuego de ynfanteria Como ygualmente la Caballería Enemiga sin poder operar uno ni otros.

Cuando senti los fuego por mi retaguardia y dentro la confusion en la tropa sin sufrir perdida no pude sugetar la Caballada tuvimos vna gran dispersion de tropas(,) el portugues lo mismo / mucha tropa dispersa u Muerta.

/yo estava dos dias a distansia de una Legua del Campo de Batalla y el enemigo ni tan solo un onbre parecia el [……] despues de orasiones del Campo de Batalla las Bentajas q.° Consiguio tan solas fueron el ser dueños del Campo.

/ tubimos la perdida de los Megores ofisiales q.e no se sitar por q.e los Cuerpos no sean encontrado q.e son los siguientes: Laballeja y Gatel Ruiz Dias es muerto — y dile a Laballeja que esta la tenga por sulla q.e ya le escrito a mi Comadre. yo estoi al mando del todo de la division.

Y Manda como siempre
Andres de la Torre

Al Com. D. Frutuoso Rivera


Transcrição da Parte do Interrogatório ao prisionero Ramón Bargas pertinentes à batalha de Carumbé

Acampamento de Iberapuitá, 7 de dezembro de 1816.

Respostas que dá o prisioneiro Ramón Bargas, paraguai

Foi perguntado quando Artigas deu a ultima batalha em Carumbé, se ele Bargas se achava na Acção.
Respondeu = Era Soldado de Infantaria da 7.ª Comp. de Belendengues, e que se achou.

Foi perguntado = Se o General Artigas se achou na acção, e quem eram os mais oficiais.
Respondeu que o própio Artigas foi quem dispoz a acção, e mandou avançar do Arroio vertente de Quaraí, que depois se retirou com uma escolta para observar a acção, e que se achavam na acção o tenente coronel de Belendengues D. Ramón Fernandez, o capitão do mesmo Regimento Andrés de LaTorre; o capitão Balta Oyera com a sua divisão de Milícias, muitos mais oficiais, entre os quais no Corpo de Belendengues se achava o Ajudante português Manuel da Rosa.

Foi perguntado que gente tinha o Artigas na acção.
Respondeu que perto de 1800 homens, 500 de infantaria entre pretos e brancos, 850 de cavalaria, e 150 charruas, minuanos e guaicurús, e perto de 300 mandurés.

Foi perguntado que gente morreu na acção de Carumbé.
Respondeu que ignora, e que sabe por um espia que veio ao campo depois da retirada de Artigas, e do Exército Português que só no lugar da cavalhada contara 104, e que não pode contar os mais que se achavam em todo o campo do ataque por ter visto uma partida portuguesa.

Foi perguntado Com que porção de cavalaria, e infantaria se retirou Artigas depois do combate.
Respondeu que se retirou com 60 homens de infantaria, e 25 de cavalaria, e que os mais se dispersaram por diferentes lugares, os quais se foram depois reunindo pouco a pouco em uma ilha entre as pontas de Arapeí aonde foi pernoitar Artigas distante do lugar do combate 3 ou 4 legoas onde se demorou 5 dias escondido no mato para reunir alguma gente, os quais se juntaram em número de 400 homens mais en menos, que deste lugar se mudara para outro Arroio vertente de Arapeí huma legoa destante.

Foi perguntado Que oficiais faltaram quando se reunirão os dispersados da acção.
Respondeu que o Tenente Gatel, o ajudante Bento Garcia, alferes Lavalleja, tenente Cordeiro, alferes Martins, tenente Silva, alferes Jacob, Carderon, Roque Grande, e mais oficiais que se não lembra, e que o tenente coronel Ramon Fernandez de Belendengues foi morto pelos seus soldados depois da acção por ter disparado no princípio do mesmo.

Foi perguntado. Quando Artigas disparou depois da acção de Carumbé que fala fez aos seus oficiais e soldados.
Respondeu = Que sendo perseguido pelos portugueses ia se precipitando de uma barranca mui alta onde a não ser advertido por um seu soldado que o desviou do precipício, e se achar montado em um bom cavalo zaino seria infalivelmente apanhado por alguns soldados que o perseguiram, e logo que chegou à ilha de que ja falou chorava de raiva pela perda que tinha sofrido.
O Latorre que ficou comandando os Belendengues, e o seu ajudante Turíbio Nação Paraguai, e o Secretário Monteroso o animaram muito, e o dissuadiram fortemente da tenção que Artigas tinha de se apresentar aos portugueses, o que sabe por ser voz constante entre toda a Tropa.

Fontes
– Comisión Nacional Archivo Artigas, Archivo Artigas, Montevideo, Monteverde, tomo 31.
– Diogo Arouche de Moraes Lara, “Memória da Campanha de 1816”, in: Revista trimensal de historia e Geographia, ou, Jornal do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, n.º 27, Outubro de 1845;
– Wikipedia em língua espanhola.
– Imagens da wikicommons.

Sobre Jorge Quinta-Nova 71 artigos
Rato de biblioteca. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas na UAL, pesquisa desde 2007 o Exército Português nos finais do Antigo Regime, durante as Guerras Revolucionárias, principalmente Carlos Frederico Lecor, de quem anda reconhecidamente Em Busca. É um reputado amante da Medalha Militar, entre a fundação em 1863 e 1911.

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