Nicolaus Krusse e os seus Negócios no Brasil

Em maio de 1726, o provedor e deputados da Mesa de Homens de Negócio da capitania de Pernambuco enviaram uma representação ao rei, entre outros assuntos, pedindo a remessa de “dois estrangeiros, Pedro Graaf e Nicolau da Cruz [sic]”. Por de trás dum nome tipicamente português, Cruz, temos uma alemão de Hamburgo, Nicolaus Krusse, avô materno do Marechal Carlos Frederico Lecor.

Cidade de Olinda, então capital do Pernambuco

Sendo acusados de estar a conduzir negócios no Brasil, sem terem autorização para isso, ficou decidido que o Nicolaus tinha que retornar a Portugal, porque alemão, ou melhor hamburguês, e Pedro Graaf, porque holandês, podia ficar, em função dos acordos diplomáticos. Em finais de 1729, os dois comerciantes ainda apresentam um requerimento, onde pedem para continuar residindo e negociando na dita capitania, mas é certo que em 1730, Nicolaus voltou a Portugal, decerto a cidade de Portimão, no Barlavento algarvio.

Após casar com Teresa do Nascimento, em ano que desconheço, nasce Carlos Frederico Krusse, o seu primeiro filho, em 1734, em Portimão. Tem, aliás, três filhos e três filhas, nascidos todos em Portimão entre 1733 e 1748.

Nicolau Krusse, Crusi ou Cruz, como por vezes está grafado, vem a falecer em Santos o Velho, a 15 de Março de 1758. Neste mesmo bairro de Lisboa, três anos depois, a sua filha Quitéria Maria Luísa Marina casa com Luís Pedro Lecor, a 3 de fevereiro. Seis anos depois nasce o seu neto, Carlos Frederico Lecor, a 6 de outubro.

Portimão, visto de leste

Após a sua instalação em Pernambuco não ter sido bem sucedida, e de ter aberto loja em Portimão, perto do importante porto de Lagos, Nicolaus parece ter-se mudado para Lisboa, entre 1748 e 1758, podendo a mudança ter sido perfeitamente regular, em busca dos maiores e mais importantes mercados em Lisboa, ou em função do Terremoto de 1755, em que a cidade de Portimão ficou muito destruída, como em geral as cidades do Barlavento, mais perto do epicentro.

 

Fontes: Arquivo Histórico Ultramarino; Livros Paroquiais de Faro (Sé). Se desejar conhecer exatamente as fontes consultadas, queira deixar a indicação nos comentários.

Projeto Ultramar (UFPE) / Documentos Manuscritos Avulsos da Capitania de Pernambuco, Recife, Ed. Universitária da UFPE, 2006

Sobre Jorge Quinta-Nova 71 artigos
Rato de biblioteca. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas na UAL, pesquisa desde 2007 o Exército Português nos finais do Antigo Regime, durante as Guerras Revolucionárias, principalmente Carlos Frederico Lecor, de quem anda reconhecidamente Em Busca. É um reputado amante da Medalha Militar, entre a fundação em 1863 e 1911.

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