Forte de S. João do Registo da Barra de Tavira

O Forte de S. João do Registo da Barra de Tavira, também designado por Forte da Conceição, Forte de S. João Baptista ou simplesmente Forte de S. João, foi mandado construir em 1670 pelo então Conde de Val de Reys, Capitão General do Reino dos Algarves para proteger a passagem da barra de Tavira para a Ria Formosa, assim como tomar o registo de todas as embarcações que entravam e saiam. O Forte é basicamente uma estrela de 4 pontas, com baluartes nos ângulos, dois deles virados à Ria. A porta principal está virada para terra e tem placas indicando a construção inicial e a posterior reedificação por outro Conde de Val de Reys, D. Nuno de Mendonça e Moura, trineto do primeiro.

Como nos informa a ficha deste forte no sítio do IPPAR, com “o açoreamento da ria e o desvio da barra para nascente, a fortaleza da Conceição perdeu as suas funções militares”, acabando o imóvel por cair em mãos privadas no primeiro quartel do século XX. Segundo apurei, o hotel que está lá hoje aproveitou bastante bem o espaço, não o descaracterizando por aí além, sendo avaliado por alguns turistas como um excelente Bed & Breakfast – já agora, deixo aqui a ligação.
Não vi o hotel por dentro, embora me roa a curiosidade. A porta estava ciosamente fechada, guardada e filmada. Quem sabe alguma alma caridosa me deixasse penetrar o reduto, mas confesso que o exterior me deixou satisfeito. Embora um viçoso arvoredo vista as muralhas viradas a terra, para Norte e Leste, as muralhas estão bastante visíveis nos outros lados, permitindo ver um forte extremamente bem preservado e bastante bonito, no seu estilo sóbrio do século XVII.

Este forte honra a belíssima zona que o envolve, junto a Cabanas de Tavira, à direita de Tavira, com a sempre fantástica Ria Formosa em frente. Antes de ir ao forte propriamente dito, não hesitei em passear à beira-Ria que estava a encher, num dia que, se nublado, não nega ao Algarve a sua luz de sempre, mais ainda reflectida pelo azul atlântico do mar salgado que se estende, parece, ao infinito.

Sem dúvida, um belo passeio que só me puxa a passear por todo santíssimo forte e fortaleza da costa algarvia. Deixo-vos com uma foto que tirei mesmo em frente à muralha sul, mostrando o cenário que Lecor veria todos os dias quando pegava ao serviço, durante o relativo curto espaço de tempo em que lá esteve, de Outubro de 1793 a Março de 1794.

TAVIRA: PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO: visite

Sobre Jorge Quinta-Nova 71 artigos
Rato de biblioteca. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas na UAL, pesquisa desde 2007 o Exército Português nos finais do Antigo Regime, durante as Guerras Revolucionárias, principalmente Carlos Frederico Lecor, de quem anda reconhecidamente Em Busca. É um reputado amante da Medalha Militar, entre a fundação em 1863 e 1911.

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